quinta-feira, 10 de agosto de 2017

TROVADORISMO


As cantigas de amor são de origem provençal, isto é, de Provença, região do sul da França. Eram declamadas ou cantadas com o acompanhamento de instrumentos musicais de corda ou sopro. Nelas se manifestava o amor cortes, um amor elevado ao seu mais alto grau de perfeição.

Quando as cantigas de amor chegaram à península Ibérica, já existia em Portugal uma poesia nativa, folclórica: as cantigas de amigo.

Literatura medieval portuguesa

A literatura medieval portuguesa costuma ser dividida em dois períodos:

TROVADORISMO
1189 (ou 1198) a 1418
1189 ou 1198 é o ano presumível da Cantiga da Ribeirinha, marco histórico da poesia escrita em língua portuguesa.
HUMANISMO
1418 a 1527
Em 1418, Fernão Lopes é nomeado guarda-mor da Torre do Tombo (chefe dos arquivos de Estado), incumbido de registrar em crônicas as histórias dos reis de Portugal. Em 1527, o poeta Sá de Miranda retorna da Itália e introduz o soneto, novidade que aprendera com os renascentistas italianos, inaugurando assim a Era Clássica em Portugal.


Contexto histórico

HISTÓRIA

1308 – Fundação da Universidade de Coimbra.
1415 – Conquista de Ceuta
1420 – Início da expansão marítima. Descoberta da Ilha da Madeira.
1453 – Os turcos conquistam Constantinopla. Fim da Idade Média.
1482 – Diogo Cão descobre a foz do Zaire.
1487 – Bartolomeu Dias dobra o cabo da Boa Esperança
1492 – Colombo descobre a América
1498 – Vasco da Gama descobre o caminho marítimo para as Índias.

A hierarquia da sociedade feudal era formada por três grupos: clero, nobreza e povo. Deste último grupo faziam parte os vilões (homens livres, ricos ou pobres, mas que não eram nobres), os semi-servos (trabalhadores das terras dos senhores, fazendo parte da riqueza destes) e os escravos (mouros capturados em operações de guerra).

Havia uma relação de dependência muito bem definida entre as diversas camadas sociais: os trabalhadores rurais eram vassalos dos nobres e dos eclesiásticos e estes, por sua vez, eram vassalos do rei, que era rei “pela vontade divina”.

O espírito teocêntrico da época, ou seja, Deus como centro de todo Universo, contribuía para manter e justificar o sistema feudal.

O espírito teocêntrico dominava toda Idade Média: o homem era extremamente religioso, frequentava a igreja, participava de romarias, peregrinações e cerimônias religiosas. Aceitando a ideia de que seu destino já estava traçado, mantinha-se (ou era mantido) numa posição subalterna, sem contestar ou tentar modificar a estrutura social que o explorava.

A visão teocêntrica e a relação de vassalagem iriam caracterizar não só a literatura como também  a pintura e a arquitetura da época.



As cantigas trovadorescas

Características das cantigas trovadorescas


CANTIGAS DE AMOR
CANTIGAS DE AMIGO
Sujeito
O trovador assume o eu lírico masculino: é o homem que fala.
O trovador assume o eu-lírico feminino: é a mulher quem fala.
Objeto
Feminino: a dama, a “senhor”.
Masculino: o amigo.
Caracterização do sujeito
Cativo, coitado, enlouquecido, aflito, sofredor.
Louçã (formosa), velida (bela, graciosa), loada (louvada), leda (alegre), fremosa (formosa).
Caracterização do objeto
Idealização da mulher pelas qualidades físicas (beleza), morais (bondade, lealdade), sociais (falar bem, de grande valor) etc.
Mentiroso, traidor, fremoso (formoso) etc.
Expressão dos sentimentos
Expressa a coita (dor, mágoa) amorosa do trovador por amar uma mulher inacessível e a quem rende vassalagem amorosa.
Expressa sentimentos de uma mulher que sofre por sentir saudades do amigo (namorado).
Cenário
A natureza e o ambiente da corte.
O campo (fonte, flores, aves), o mar e a casa.
Origem
É de origem provençal.
Teve origem em território galaico-português.

Além das cantigas de amor e de amigo, alguns poetas escreveram cantigas em estilo irônico e mordaz visando censurar ou ridicularizar defeitos ou vícios. São as cantigas de escárnio e as cantigas de maldizer.



CANTIGAS DE ESCÁRNIO
CANTIGAS DE MALDIZER
Cantiga de caráter satírico, em que o ataque se processa indiretamente, por intermédio da ironia e do sarcasmo.
Criticava pessoas, costumes e acontecimentos, sem revelar o nome da pessoa ou pessoas visadas.
Cantiga de caráter satírico, em que o ataque se processa diretamente.
Criticava pessoas, costumes ou acontecimentos, citando o nome da pessoa ou pessoas visadas.


Referência: MAIA, J.D. Português N. Ensino Médio. São Paulo, Ática, 2004.

SUGESTÃO DE LEITURA:




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